"As crianças são as pessoas que fazem os adultos crescer. É por causa das crianças que os adultos crescem como pessoas. Se não houvesse crianças, as pessoas só cresciam por fora. Teriam braços grandes e pernas grandes, mas a vontade de ser melhor seria pequena. Os braços seriam grandes, mas encolheriam os ombros. Teriam um corpo grande e um coração pequeno. Um coração pequeno perde-se se não quiser ser maior. As crianças, pelo contrário, têm braços pequenos e pernas pequenas, mas um coração enorme. As crianças são verdadeiras e, por isso, são fáceis de enganar. Só há uma coisa em que não é possível enganar uma criança. A criança conhece o amor como as palmas da sua mão, reconhece-o onde quer que ele se esconda ou manifeste. A criança sabe quando gostam dela. Não é possível enganar o coração de uma criança. A criança pode brincar ao faz-de-conta, mas não finge o que sente. As pessoas grandes já não brincam, mas fingem. As crianças andam na escola, mas são elas que ensinam às pessoas grandes aquilo que só o amor sabe transmitir. As crianças sofrem de uma sabedoria que os adultos esquecem. Sabem quais são as coisas que realmente importam. Tratam a poesia por tu. Tratam o mundo com o espanto natural que as descobertas despertam. Tratam a vida sem cerimónia. As crianças são, sim, o melhor do mundo e é por elas que o mundo tem de ser melhor. É por isso que as pessoas grandes têm de deixar de pensar que estão acima das coisas e devem antes estar à altura daquilo que as crianças merecem. Merecem o mundo."
in "Lado a lado" de Elisabete Bárbara
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