O mundo literário ficou incompleto mas não mais pobre, Luís Sepúlveda deixou-nos ontem, dia 16 de abril. A sua obra permanece!
A história de Luis Sepúlveda e da sua esposa, Carmen Yáñez, é um romance em si. Eles casaram-se duas vezes, a primeira no Chile e a última em Gijón em 2004, com vinte anos de diferença, o máximo que passaram sem se ver e embarcaram em outras vidas.
Mas o dela era um amor destinado a ser eterno e será assim para sempre.
Carmen, poeta com verbo limpo e palavras justas, conseguiu transformar a sua dor no poema que, com a generosidade que a caracteriza, compartilha com os leitores.
"Ignorante da luz que cercava a inocência
nós estávamos tão felizes meu amor
com o calor das nossas mãos juntas
atravessando todas as estradas
e rindo dos obstáculos de pedra ou granizo
que eles estavam tentando nos impedir dessa irresponsável corrida de felicidade.
Ficamos muito felizes
e não conhecíamos a dimensão da vida.
Da ameaça invisível, da longa sombra do medo,
Nós, irreverentes, não sabíamos.
Nos amar com projeções futuras.
Hoje não penso mais além de amanhã quando espero
sua prova de vida contada por outros."
CARMEN YÁÑEZ

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